Ebook «Marta» à venda na KOBO

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Promoção de Natal

Olá a todos.

O Natal está aí. Se ainda não sabe o que dar aos seus amigos, um livro é sempre uma boa prenda.

Ofereça um dos livros da Trilogia Império Terra, ou ofereça o ebook «Marta».

Para ajudar, a partir de amanhã, o ebook «Marta» custará apenas 1.50€, na KOBO; é uma oportunidade única que termina no dia 26 de Dezembro.

Quem preferir FANTÁSTICO, saiba que este ano, por 15€, podem ter os dois livros: Império Terra: o Princípio e Império Terra: Guerra da Pirâmide - estes podem ser adquiridos através do meu site, ou enviando um email para trilogiaimperioterra@gmail.com.

Boas leituras.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Novo Trailler de «Marta»

Olá a todos.

Conforme prometido, deixo-vos aqui o novo Trailler de «Marta». O ebook está na KOBO, disponível para download. Estando o Natal tão perto, esperem por novidades.

Para já, deixo-vos o Trailler:


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ebook Marta

Olá a todos.

Como prometido, o ebook «Marta» está disponível na Kobo

Já fiz alguma divulgação sobre o ebook, aquando da Campanha de Crowdfunding, mas pretendo, em breve, fazer um Trailler de lançamento e republicar a sinopse.

Para já fica aqui a imagem do ebook.

Visitem a KOBO, e o meu ebook, e façam o download.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

CROWDFUNDING | Fim de Campanha

Olá a todos.

A campanha de Crowdfunding Vamos Publicar Livros, terminou hoje às 18h. Às 18.07 recebi o email da PPL|Crowdfunding a informar-me de que não fora angariado valor suficiente para o financiamento do projecto. 

Não se pode dizer que tenha estado perto, porque apenas reuni 46€; mas foi uma experiência interessante da qual se podem tirar muitas elacções.

Resta-me agradecer a todos aqueles que acreditaram no projecto e em mim, bem como a todos aqueles que não acreditaram; cada um, à sua maneira, contribuiu, de algum modo, para o futuro da minha carreira de escritor.

Quanto a «Marta», a história será publicada só em ebook e só em português ( para já ). Em breve darei novidades quanto a capas e locais para aquisição.

domingo, 23 de novembro de 2014

Campanha Crowdfunding | 1º Balanço

A companha de Crowdfunding, lançada no final de Outubro e com término agendado para 25/11/2014, está - claro - a chegar ao fim. 

Fazendo um primeiro balanço, direi - necessariamente - que estou aquém das minhas expectactivas.

Neste momento tenho 46€ e preciso de 740.00€. Estando a 2 dias do fim, resta-me esperar que algumas pessoas contribuam com valores altos. Ou então que muita pessoas contribuam com valores menos altos...

Penso que a maior parte de nós não compreende o verdadeiro conceito do Crowdfunding; a ideia central e principal é reunir muitos pequenos apoios, porque muitos pequenos apoios permitem atingir somas razoáveis. Vamos ao processo?

É simples, registamo-nos no site, seleccionamos APOIAR, consultamos os projectos que estão a colher contributos e se encontrarmos algum, ou alguns, que nos digam alguma coisa, ajudamos esse promotor/autor a tornar esse projecto em realidade. E em troca?

Em troca receberemos a Recompensa que o promotor definiu para o nosso contributo. Não é complicado; pois não?

Vamos à aritmética... Neste momento faltam-me 694€. Bastar-me-ia que 7 pessoas contribuíssem com 100.00€ cada - é muito dinheiro dirão; mas e se 70 pessoas contribuissem com 10€? Ou se 140 pessoas apoiassem com 5€?

Em qualquer destes cenários eu conseguiria o meu objectivo. Mas o maravilhoso do Crowdfunding é que ninguém perde; com a publicação de «Marta», quem contribuiu recebe uma Recompensa à altura da sua contribuição; se não, os valores serão devolvidos.

Visitem-me em Vamos Publicar Livros e conheçam o projecto e as Recompensas; apoiem este projecto e façam parte de um livro que será o primeiro de muitos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Prólogo de «Marta»

Estava uma manhã fresca de verão. A neblina ainda não se desfizera nos habituais farrapos molhados que lhe costumavam acariciar o rosto, as pessoas ainda não percorriam a praça central que acabava no molhe escuro junto ao mar que afagava as pedras numa cantiga de embalar, os pescadores ainda não tinham voltado, e o seu sono fugira-lhe de novo.
A vila de Peixelim era uma localidade afável.
A sua família chegara ali há 65 anos. O avô Antunes e a avó Graciete construíram a casa de família a pulso, com a ajuda das pessoas da terra; curiosamente o seu avô paterno também contribuíra para isso – o avô Cardoso – e assentaram ali decididos a tirar o sustento da terra num sítio de peixe. Felizmente as coisas haviam corrido bem e acumularam uma pequena fortuna. 
A casa dos Alva era a maior de Peixelim. Tinha de ser! Lá viviam os avós maternos, os seus pais e ela. O resto da família afastara-se.
Os tios Albuquerque viviam bem, eram abastados, e não ligavam à família.
O tio Afonso desposara a tia Laurinda em 1932...
A mãe sempre lhe dissera que aquele casamento fora orquestrado pelo senhor Azeredo Albuquerque, pai do tio Afonso, que, receoso da ameaça que a família Alva pudesse representar ao domínio que tinham sobre região, resolvera juntar as duas famílias; e rematava com a afirmação de que a tia Laurinda nunca fora feliz.
Ela não sabia nada dessas coisas, mas a verdade é que só em 1950 nascera o primo Rodrigo, quando a seu tio João já era pai desde 1933, e os seus pais desde 1934, quando nascera Marta...
A sua irmã Marta teria hoje 36 anos, se fosse viva... 36 anos... A mesma idade que deveria ter a prima Maria Alva, filha do tio João e tia Josefina.
Gostava muito da prima Maria Alva, mas não sabia muito da vida dela. Só sabia que cada ano que passava ficava menos tempo em Peixelim. Fora viver para Lisboa, após o falecimento dos pais, há dois anos...Voltava sempre para as festas da vila em Agosto, mas no ano anterior ficara apenas uma semana. Viria ela este ano?
Ela também gostaria de partir para Lisboa. Tentar a sorte noutro lado... Peixelim era a sua terra, mas ali nada mais a esperava senão um casamento, talvez infeliz...
Mas não tinha coragem de falar sobre isso com os pais. Estava certa de que seria um choque para ambos e não queria dar-lhes esse desgosto. Bastara-lhes o que acontecera com Marta... A irmã Marta que nunca conhecera e que, mesmo assim, tanto lhe condicionava a existência...
Era frequente ser comparada com a irmã que morrera há 20 anos, afogada naquele mar que tão convidativo parecia.
Marta morrera com 16 anos de idade. Pensava-se que teria sido tragada por uma onda traiçoeira ali mesmo, junto ao molhe, onde ela estava naquele momento, numa manhã de mar alteroso.
Nunca ninguém lhe contara ao certo como acontecera. Não conseguia imaginar tamanho temporal que arrastasse alguém dali. Já vira o mar zangado muitas vezes e, mesmo nos piores dias, em que lançava os seus braços sobre a terra, nunca vira neles força que levasse quem quer que fosse. Mas também não sabia se fora dali, daquele sítio onde estava, e também já ouvira histórias de grandes ondas que se formavam do nada, como se o mar tivesse vontade própria. Talvez, por isso, tivesse pesadelos com Marta.
Não sabia se era psicológico, mas desde que fizera 16 anos que sofria de insónias, e os pesadelos que tinha com Marta lutando contra as águas eram a sua principal causa. Há 3 anos que frequentemente fazia aquela caminhada, desde lá de cima da colina, onde estava a casa, descendo o empedrado cinzento e íngreme até à praça principal, envolta pela bruma, enrolada num xaile laranja e um lenço azul sobre a cabeça, parando a escassos centímetros do molhe esperando que o mar lhe falasse de Marta – já que ninguém mais falava. Chegava ali, fincava os pés no chão, e fechava os olhos para se deixar levar pelo som calmante do mar, esperando que nessa melancolia esquecesse a angústia que sentia sempre que aquele sonho mau a acordava.
Às vezes não sonhava. Havia noites em que dormia profundamente, madrugadas em que não era despertada pelos gritos da irmã entrecortados pelas goladas de água salgada que lhe invadiam as entranhas e lhe enfraqueciam a força, enquanto a ouvia bradar por ela, no meio do som do temporal – «Teresa!». Mas essas noites era raras; normalmente, acordava ainda com a imagem de Marta a afundar-se devagar, como se navegasse para as profundezas.
 Talvez, por isso, sempre que por força do pesadelo empreendia aquela caminhada até ao molhe, temesse abrir os olhos, e temia abri-los, porque tinha o medo irracional de ver o corpo sem vida da sua irmã vir à tona, como se ela a espreitasse do além.
O primo Rodrigo também deveria voltar de Lisboa para as festas. Quisera deus que, mesmo sendo um Albuquerque, mantivesse as relações com a família. Gostava muito de falar com ele!
A mãe não apreciava muito aquela amizade, e o tio Afonso nem a imaginava.
O avô Antunes, por seu lado, encorajava-os a continuarem a dar-se.
Coitado, do avô. Com 78 anos ainda não perdera a esperança de ver o nome da fábrica de conservas alterado para Albuquerque & Alva Conservas, e deveria ver em Rodrigo a última hipótese...
Quando Marta morrera daquela forma trágica, o tio Afonso, talvez comovido pela desgraça, acomodara toda a família da tia Laurinda na fábrica, e atribuíra-lhe cargos de responsabilidade. Mas o nome mantivera-se Azeredo Conservas.
Contudo, Rodrigo estava a estudar para advogado, e não parecia interessado nos negócios do pai. Seria uma vã esperança, a do avô.
Esperava que Maria Alva também viesse. Haviam conversas que apenas poderia ter com a prima. Talvez ela lhe pudesse falar de Marta. Elas deviam ter sido íntimas... Com idades tão próximas...
Tinha saudades da prima, daquelas tardes na esplanada do Tibúrcio a beber refrescos e batidos, a conversar de trivialidades; ou a desconversar, como tão bem fazia a prima quando o assunto se tornava mais pesado. Às vezes sentia-se só…
Os tios Albuquerque apenas os conhecia de vista, já não tinha avós paternos, não tinha namorado, porque os pais não a autorizavam a namorar... Até havia um rapaz por quem tinha um fraquinho; mas era pescador…
Não discutia esses assuntos. Já desistira! Um dia lembrara-lhes que Maria Alva era filha de uma pescadora e os pais limitaram-se a desviar o olhar como se tivesse dito uma blasfémia, ou como se fosse por isso que Maria Alva fora forçada a partir. Nessa altura apetecera-lhe gritar que a prima partira porque era livre, porque estavam em 1970 e as mulheres deviam ter o direito de escolher o seu próprio caminho... Mas o mais certo era apanhar uma valente bofetada e ser proibida de sair. Não valeria a pena tamanho castigo, apenas para dar voz à rebeldia.
O sino da igreja começara a tocar para a missa. A neblina ia dissipando-se suavemente e ao longe já se viam os barcos de pesca a voltarem.
Estava na altura de regressar à casa. Estava certa de que ainda ninguém se levantara. Ao Domingo apenas iam à igreja às 10 horas.
Misturando-se com as gentes de Peixelim que saíam em direcção à igreja para a missa das sete, no cimo da colina, num ritual que repetia há 3 anos, sabia que vestida daquela forma ninguém a tomaria por Teresa Alva Cardoso, garantido que a sua reputação de menina de família se manteria intocada, assim como a seriedade dos Alva.
As festas começariam no dia seguinte...
Seria tão bom se Maria Alva viesse...

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Vamos Publicar Livros | Já contribuiu?

Olá. 

Estamos no 19º dia da Campanha de Crowdfunding «Vamos Publicar Livros».

Já teve oportunidade de visitar o site do projecto?

O objectivo é publicar o romance «Marta». Uma história passada em Portugal, em 1970, numa pequena vila piscatória, onde os sonhos e os pesadelos de uma jovem se misturam com os anseios e receios de um país...

Dê uma vista de olhos ao vídeo de apresentação, conheça o autor, e acompanhe a evolução desta campanha com disponibilização de mais detalhes; até ao momento foi adicionada a sinopse e mais um trailler.

Se estiver interessado, poderá apoiar a partir de 1€, mas sabia que se contribuir com valores superiores a 10€ poderá também ser o orgulhoso proprietário de um exemplar de «Marta»?

«Marta» terá uma edição exclusiva e de poucos exemplares; é uma oportunidade única.

Esta e outras informações estão disponíveis no site do projecto.

Já sabe; todos os valores investidos, caso o projecto não atinja os 100%, serão devolvidos aos apoiantes pela PPL; não tenha receio de apoiar.

Visite-me em «Vamos Publicar Livros» e conheça todas as recompensas que pode ter por ajudar este projecto.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Novo Trailler

Olá a todos.

Conforme prometido, segue o novo Trailler de «Marta», com mais alguma informação sobre a história em si,

Infelizmente o site do projecto Vamos Publicar Livros, da responsabilidade do PPL, não permite adicionar novos videos sem eliminar o anterior. Uma vez que considero o primeiro video mais esclarecedor sobre o meu projecto e objectivo, este novo trailler estará apenas disponível aqui no blog, no facebook e no Youtube,

Conto, ainda, com o  vosso apoio para divulgarem a campanha de Crowdfunding; estou no 16º dia de Campanha com pouco mais 30€ angariados, mas com um potencial de 330€ - é que o projecto teve 300 visualizações.

Recordo que está a decorrer um Passatempo, para quem apoiar com valores no intervalo de 7 a 9 euro: quem contribuir, receberá um ebook «Marta», terá o seu nome inscrito na página de agradecimentos do livro/ebook e terá ainda direito a um destaque na minha página de autor no Facebook, que são as recompensas definidas, mas - além de tudo isso - receberá também um exemplar do meu primeiro livro «Império Terra: O princípio», um livro que não encontram por menos de 12€.

O novo Trailler abaixo:


domingo, 9 de novembro de 2014

NOVO PASSATEMPO


Olá a todos.

Está a decorrer um novo Passatempo.

Desta vez, quem apoiar com valores entre 7€ e 9€ receberá um exemplar do meu primeiro romance «Império Terra: O princípio»

O processo de participação é idêntico ao anterior:

- fazer like na minha página de autor no facebook - aqui (quem já tem like, salta esta parte)
- partilhar o passatempo com pelo menos uma pessoa
- ir ao site de «Vamos Publicar Livros» - aqui - e apoiar com, pelos menos, 7€.

Notas:

- o registo das contribuições é do meu conhecimento no site «Vamos Publicar Livros»
- o livro só será enviado se o financiamento do projecto for conseguido (regras de Crowdfunding)
- é necessário que se registem no site da PPL - aqui - para poderem apoiar.

- todos os valores serão devolvidos aos apoiantes, caso o projecto não seja financiado

sábado, 8 de novembro de 2014

Vencedores do Passatempo 1 euro 1 ebook

Olá a todos.

O Passatempo terminou ontem.

Os vencedores foram a Rita e a Célia. Cada uma delas irá ter o previlégio de receber um ebook «Marta».

A ambas fica o meu agradecimento pelo interesse demonstrado e pela participação.

Os ebooks serão enviados somente após 25/11/2014, data em que termina a Campanha de Crowdfunding, e só se o projecto Vamos Publicar Livros for financiado a 100%

A todos os outros que ainda não conhecem o projecto, e o crowdfunding, visitem-me em Vamos Publicar Livros; há mais passatempos na calha.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sinopse de Marta

Olá a todos.

A Sinopse de «Marta» já foi partilhada no site do projecto, no entanto, só estará disponível e visivel para quem se encontra registado.

Na verdade, registarem-se de PPL|CROWDFUNDING é simples. Vão ao site da PPL, indicam o vosso email e escolhem uma password. Depois hão de receber um email para validar o registo. A partir daí têm ao vosso dispôr todos os projectos que aguardam apoios e têm também a magnifica oportunidade de apresentarem um projecto vosso. Informem-se como - o PPL tem muita informação disponível para quem quer saber mais sobre Crowdfunding. E não se esqueçam, a PPL só dá um projecto por financiado se, no final do período de recolha de apoios, o projecto tiver angariado 100% do valor pretendido; se isto não acontecer, todos aqueles que o apoiaram recebem o dinheiro de volta - mais transparente do que isto é impossível.

Neste momento, vou no 12º dia da campanha, tenho apenas 20€ e 2% do pretendido; mas se todas as pessoas que visitaram Vamos Publicar Livros tivessem apoiado - com 1€ que fosse - teria mais de 200€ em apoios e estaria muito mais perto do objectivo: 740€. Esta é a chave do Crowdfunding, a maravilha desta oportunidade: com um pequeno contributo de muita gente conseguem-se atingir valores fenomenais que permitem concretizar projectos importantes, como publicar «Marta».

Mas não pensem que é só apoiar. Quem apoia tem uma recompensa que vai sendo maior à medida que o valor do apoio aumenta. Por exemplo, quem apoiar com 5€ recebe um ebook «Marta», mas quem apoiar com 10€ recebe um livro «Marta»; quem der mais de 100€ terá um conto, escrito por mim, sobre o tema que bem entender, e onde pode ser a personagem principal.

Visitem-me em Vamos Publicar Livros e vejam as RECOMPENSAS que podem receber por apoiarem este projeco.

Entretanto, para aguçar o interesse, fica aqui a sinopse:

«Perante a inevitabilidade da conversa, o padre, limpando a boca ao guardanapo, quis saber o que os levara ali, naquela noite de má memória - o que os inquietaria?

Antunes, com ponderação, respondeu que fora a lágrima que ele derramara naquela tarde; justificando-se com o facto de ser raro um padre chorar no funeral de paroquianos.

Fora um cisco que lhe entrara nos olhos, disse o padre.

Os dois homens trocaram olhares. E o padre António engoliu em seco. Ele chorara. Chorara de arrependimento, porque lhe custava ter enterrado aquela rapariga, ter presidido ao funeral de uma moça ingénua que morrera de forma tão inglória e desnecessária. Fora apenas uma lágrima de arrependimento por não ter tido a atitude certa…

Azeredo sublinhou a preocupação que o transtornara, a ele e a Antunes Alva. E a inquietação deles fora tal que anunciaram ter pensado ir falar com o bispo.

O padre António interrompeu-os e recorreu à sua ironia, perguntando-lhes se iriam inquietar o Bispo por causa de um cisco lhe ter entrado na vista.

Azeredo acatou a resposta e, em jeito de conclusão,  encaminhou-se para a saída. No entanto, o padre António fez-se ainda ouvir para lhes dizer que era um homem de palavra, mesmo que isso lhe manchasse a alma. Dito isto, levantou-se para proclamar que Deus seria o seu Juiz quando chegasse a sua hora - e que Ele conhecia-o bem.

Azeredo Albuquerque, admirado, admitiu que iria mais descansado depois de ouvir aquilo.

Já o padre não se fez rogado e desafiou-os, lançando para o ar a questão: seriam eles capazes de ter aquela paz de alma?

Os dois homens saíram cabisbaixos e o padre António voltou a sentar-se à mesa, pensativo e triste: Marta morrera, e com ela levara a sua paz e a paz daquelas duas famílias; paz de alma seria coisa que nunca mais ninguém teria. Que Deus valesse a todos 


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Vamos Publicar Livros | JÁ CONTRIBUIU

Olá.

Estamos no 11º dia da Campanha de Crowdfunding «Vamos Publicar Livros». Já teve oportunidade de visitar o site do projecto?

O objectivo é publicar o romance «Marta». Uma história passada em Portugal, em 1970, numa pequena vila piscatória, onde os sonhos e os pesadelos de uma jovem se misturam com os anseios e receios de um país...

Dê uma vista de olhos ao vídeo de apresentação, conheça o autor, e acompanhe a evolução desta campanha (Sinopse já disponível no site do Projecto).

Se estiver interessado, poderá apoiar a partir de 1€, mas sabia que se contribuir com valores superiores a 7€ poderá receber o ebook, na sua caixa de email, e ainda ser incluído na página de agradecimentos do ebook e do livro?

Esta e outras informações estão disponíveis no site do projecto.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Passatempo 1 € 1 ebook

Olá a todos.

Como sabem está a decorrer o Passatempo 1€ 1 ebook

Vou clarificar o processo de participação:

- fazer like na minha página de autor no facebook - aqui (quem já tem like, salta esta parte)
- partilhar o passatempo com pelo menos uma pessoa
- ir ao site de «Vamos Publicar Livros» - aqui - e apoiar com, pelos menos, 1€.

Notas:

- o registo das contribuições é do meu conhecimento no site «Vamos Publicar Livros»
- o ebook só será enviado se o financimento do projecto for conseguido (regras de Crowdfunding)
- é necessário que se registem no site da PPL - aqui - para poderem apoiar.
- todos os valores serão devolvidos aos apoiantes, caso o projecto não seja financiado

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Passatempo com novo prazo

Olá a todos.

O passatempo 1€ 1 ebook foi estendido até ao dia 7/11/2014.

Aproveito este momento para dar algumas estatísticas.

Actualmente tenho 197 visualizações do meu projecto. Se cada pessoa que o visitou tivesse contribuido com  1€ teria 197€ - 26% do objectivo cumprido; mas se tivessem contribuido com 3€ já teria 80% do valor pretendido angariado.

O objectivo do Crowdfunding é conseguir apoios para os projectos que são submetidos. Não existe, neste objectivo, qualquer agenda escondida; se o valor pretendido não for conseguido, quem apoiou receberá o seu dinheiro de volta; se, pelo contrário, o valor for conseguido, eu publicarei «Marta» e quem contribuiu receberá as suas recompensas - e há recompensas interessantes:

Já pensou em ler um conto onde você fosse o personagem principal?

Eu posso dar-lhe essa oportunidade.

Visitem-me em Vamos Publicar Livros

sábado, 1 de novembro de 2014

Vamos Publicar Livros | JÁ CONTRIBUIU?

Olá.

Estamos no 6º dia da Campanha de Crowdfunding «Vamos Publicar Livros». Já teve oportunidade de visitar o site do projecto?

O objectivo é publicar o romance «Marta». Uma história passada em Portugal, em 1970, numa pequena vila piscatória, onde os sonhos e os pesadelos de uma jovem se misturam com os anseios e receios de um país...

Dê uma vista de olhos ao vídeo de apresentação, conheça o autor, e acompanhe a evolução desta campanha.

Se estiver interessado, poderá apoiar a partir de 1€, mas sabia que se contribuir com valores superiores a 5€ poderá receber o ebook «Marta» em casa, entregue directamente na sua caixa de email?

Esta e outras informações estão disponíveis no site do projecto.



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

PPL|CROWDFUNDING

Trata-se de uma plataforma de apoio a todos aqueles que têm projectos, mas que não têm os recursos financeiros para os realizar. Uma visita – breve – ao site, permitirá perceber que o âmbito de todos, e de cada um, destes projectos é variado. Estes projectos só serão financiados se, no final da campanha, tiverem angariado o valor a que se propuseram; se isso não acontecer os valores são integralmente devolvidos aos apoiantes.

O modo de funcionamento é simples. Uma rede de utilizadores registados tem ao seu dispor todas as informações sobre os projectos que se encontram a decorrer, pode consultar os detalhes sobre os mesmos, questionar os promotores, e contribuir com valores a partir de 1€; receberá recompensas por essa contribuição, mediante a lista de recompensas indicada no projecto (as recompensas só são enviadas depois do projecto financiado) e poderá fazer parte de um projecto fazendo a diferença. A formas de contributo são diversas, mas a melhor e mais simples é carregar o seu perfil, com um valor, por multibanco; a partir daí pode apoiar quem bem quiser.

Por isso, não perca tempo: registe-se em PPL CROWDFUNDING – não é demorado nem complexo -, conheça os projectos e associa-se àqueles que mais lhe dizem com a simples contribuição de 1€. 1€ pode ser pouco para si, mas fará a diferença para quem está a reunir apoios para criar algo.


E já agora, aproveite para visitar o meu projecto «Vamos Publicar Livros» e faça a diferença.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Apoiar «Vamos Publicar Livros»

Clica para veres o video

Olá a todos.

Apoiar «Vamos Publicar Livros» é fácil.

Basta ir à plataforma da PPL: Crowdfunding, registar-se, ir ao site do projecto e escolher apoiar.

Podem apoiar desde 1€ e podem fazê-lo por multibanco, transferência bancária, paypal e cartão de crédito; a PPL explica tudo - e muito bem - nas FAQ e aconselha - sem dúvidas - a opção de Multibanco: pela rapidez, transparência e simplicidade.


Escolham Multibanco e será gerada uma referência e entidade especificas para a vossa contribuição; apoiem com 1€ se quiserem, mas não se esqueçam que as Recompensas começam nos valores mais altos - e algumas valem bem a pena!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Campanha de Crowdfunding

Olá a todos.

Hoje venho finalmente falar-vos do tal projecto. Chama-se «Vamos Publicar Livros» e foi a forma alternativa que encontrei para fazer chegar as minhas histórias até vós.

«Vamos Publicar Livros» é inovador.

A base do projecto é o crowdfunding. Crowdfunding é uma plataforma que permite reunir investimentos consideráveis através de pequenas contribuições. Se o valor pedido não for atingido, todos os que contribuíram serão reembolsados, se o valor - pelo contrário - for atingido, todos os que contribuíram receberão uma recompensa, mediante o valor da sua contribuição.

A inovação deste projecto está presente, não só, no facto de com ele conseguir dar às minhas histórias o acabamento editorial, revisão, paginação e ilustração (capa) que obteria - em teoria - de uma editora, mas também, de com ele conseguir uma tradução das mesmas para inglês; tudo isto por valores muito mais baixos do que aqueles que algumas Editoras estão a pedir a alguns autores  para uma publicação de custos partilhados.

Decidi, para arranque, publicar «Marta».  Se correr bem, se o valor solicitado for conseguido, em breve todas as minhas histórias poderão ver a luz do dia desta maneira.

Poderão visitar o site do projecto em http://ppl.com.pt/pt/prj/vamos-publicar-livros.

Peço 740.00€ para publicar «Marta», em português e em inglês; quem contribuir poderá receber o ebook, um livro, ou até ter um conto escrito em que ele próprio é a personagem principal.

Visitem o site do projecto; lá encontram mais detalhes sobre como podem contribuir e sobre que recompensas podem ter.

Acompanha os avanços do projecto em http://ppl.com.pt/pt/prj/vamos-publicar-livros e vai conhecendo as novidades que eu vou partilhando.

Para já fica o video de apresentação do projecto.



domingo, 19 de outubro de 2014

Novidades

Olá a todos.

Recentemente tive uma ideia que me poderá permitir publicar os meus livros e que, inevitavelmente, vos poderá permitir que os leiam. Sei que há muita gente com curiosidade sobre o terceiro livro da Trilogia Império Terra e outros tantos que ainda não conseguiram sequer ler a Guerra da Pirâmide ( 2º livro da Trilogia); no entanto, ainda não será desta que conseguirei levar estes trabalhos ao vosso conhecimento.

Na realidade, trata-se de um projecto, de um caminho que estou a trilhar, a explorar, para ver quais as suas reais potencialidades. Está a dar algum trabalho para levar a diante; não só porque vou aprendendo à medida que vou avançando, mas também porque é necessário um envolvimento pessoal que vai para além do papel central do escritor - escrever. Correndo bem, para o ano, poderá ser o ano em que a Trilogia ganha nova vida.

Dentro de alguns dias anunciarei do que se trata e de como todos vocês me poderão ajudar; serão essenciais.

Para já fica aqui uma novidade imediata: o Poemário 2015, da Pastelaria Estúdios, vai contar com um poema meu, intitulado «Rio Amor».

sábado, 28 de junho de 2014

Livro Marta - Grátis no mês de Julho


Olá a todos.

As férias estão aí.

O mês de Julho é, por excelência, um dos melhores meses de férias - altura em que se encontra mais algum tempo para ler. Este ano, para quê ir carregado com o peso de mais um livro?

Por 0€, pode descarregar da Kobo o ebook Marta e lê-lo, confortávelmente, na sua Tblet, Ipad, smartphone ou Iphone.

Durante o mês de Julho, o ebook Marta estará disponível para ser descarregado no site da Kobo, a preço zero.

Não perca esta oportunidade de ler uma boa história...


sábado, 12 de abril de 2014

Marta - divulgação

O blogue Livros do Lars fez a primeira divulgação sobre o ebook «Marta», que se encontra à venda na Kobo
«Marta», é um romance de época - muito curto; dizê-lo romance histórico seria, na minha humilde opinião, um exagero. No entanto, fala-nos de um Portugal pré-25 de Abril e da sua vontade
de libertação.
Quem o leu gostou.

Para adoçar a boca, e porque estamos nas vésperas de celebração do 25 de Abril, e da Páscoa, deixo aqui umas «amendoas»:

No inicio de Maio, na primeira semana, quem quiser poderá adquirir «Marta» gratuitamente.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Prologo de Marta

Peixelim, 1950

Era o padre António quem seguia na frente do cortejo fúnebre, com as suas vestes aprumadas e com a bíblia nas mãos cruzadas atrás das costas, e com a cabeça pregada ao chão, como o Senhor tivera as mãos pregadas à cruz. O ambiente pesado arrastava-se atrás dele, negro e opressivo. A chuva parara, numa trégua a que ninguém prestava atenção. As pessoas seguiam o caixão, absortas na dor, de olhos postos no Cardoso, no Antunes e João Alva, e em Azeredo Albuquerque que o carregavam naquela via dolorosa.
O cortejo era comprido. Além da família directa e amigos, muitos vizinhos e pessoas da vila haviam querido marcar presença, dar o apoio à família naquela trágica hora. Por isso, todos seguiam o padre António, e atrás deles vinha aquele silêncio seráfico, triste, que se abatera sobre aquela pobre vila piscatória, um silêncio que era símbolo do tremendo sofrimento, que arrancara as pessoas das suas vidinhas, e do lamentável episódio que, na mais simples leitura, lembrara a todos que tudo é efémero.
Entraram no cemitério contra-vontade. Apenas se ouvia o cascalho molhado pisado pelos pés, por entre o choro, e a angústia, que antecede o enterro de alguém querido, o enterro de alguém que não se soube ajudar.
O padre António prostrou-se ao lado do jazigo da família Alva. Estava vazio. Fora construído havia poucos anos e sempre pensara que seria Antunes, ou Graciete, os primeiros Alva que o iriam estrear. Não que desejasse a morte daqueles seus queridos amigos. Não. Que Deus os mantenha por muitos e bons anos. Apenas teria sido natural. Mas não são os meros mortais que sabem o que é natural; que sabem eles dos desígnios do Altíssimo?
Ele decidira de outra maneira…
O caixão foi deposto no chão.
O padre António olhou então para os rostos da família, esboçando uma tentativa para ganhar a coragem de que necessitava para terminar aquele funeral. 
O pai Cardoso, não tinha expressão alguma no rosto, não dava sinais de vida, branco como a cal. A mãe Virgínia que, sob o braço protector do irmão João, tremia inconsolada, levando o lenço repetidamente ao rosto que brilhava das lágrimas que insistiam em brotar dos olhos vermelhos. O tio João, que deitava agora o outro braço a Maria, sua filha, e a Josefina, sua esposa, tentando ser uma viga, embora sofresse aquela perda como se da sua própria filha se tratasse. E o avô Antunes, o patriarca da família Alva, firme como uma rocha, impávido, mesmo sob o olhar reprovador da avó D. Graciete, um olhar com o qual ele concordava.
Um pouco mais afastado, estava o Senhor Azeredo Albuquerque, calado e observador. Talvez fosse a figura mais incoerente ali presente. Mesmo para ele, que entendia aquelas questões familiares, a necessidade das aparências e a defesa dos bons costumes, a presença daquele homem era incomodativa. Dos Albuquerque, unidos aos Alva pelo casamento de Afonso Albuquerque com Laurinda Alva, não estava mais ninguém. E não estranhava.
O padre clareou a voz, bateu a lombada da bíblia suavemente nas mãos, sem saber por onde começar o sermão.
Que dizer a uns pais que perderam a filha naquelas condições?
Que dizer a uns avós que viram partir a neta muito antes do tempo?
Que dizer a um tio e a uma prima que se viram privados de quem estimavam tanto?
Não tinha palavras, e nem mesmo Deus naquelas alturas o inspirava.
Deitou os olhos ao céu nublado, pensando que não gostava de estar ali e de lhe ter calhado aquele papel.
Inspirou profundamente. Deus sabia que ele agia nos Seus ensinamentos.
Abriu a bíblia num salmo que escolhera previamente, pois sabia que naquele momento nunca se iria lembrar de um, e declamou-o. Deixou que as palavras lhe saíssem pela boca, pois a sua cabeça estava longe. Tão longe quão longe ficavam os tempos que a sua memória lhe trazia.
No ano de 1934, num bonito domingo soalheiro, quando sobre a pia baptismal dera o nome àquela pobre criança que agora jazia naquele caixão gélido, a pequenita chorara: sentira o frio da bênção sobre a moleirinha. Abençoada criatura.
Vira-la crescer, destemida, Maria-rapaz, algo complicada e revoltada com as coisas, ou com a forma como as coisas eram, mas uma boa rapariga.
Era a luz na casa dos Alva, a menina dos olhos dos avós e o «ai Jesus!» dos pais. E até na catequese brilhava, qual anjo no cimo da árvore de natal. Quis o destino que a sua luz fosse obscurecida, quis o destino que ninguém estivesse atento.
O salmo terminou e fechou-se o santo livro. Chegara a hora dos prantos, dos choros desaustinados e dos gritos carpidos.
O caixão entrou no jazigo ao som das carpideiras, a porta fechou-se com um som que ecoou na eternidade e o padre deixou escorrer uma lágrima…
À noitinha, nesse mesmo dia, o Antunes Alva e o Azeredo Albuquerque bateram à porta da igreja. Foram conduzidos à sacristia, onde o padre tomava a ceia. O padre António não se deixou surpreender…
- Está com má cara, padre! – exclamou Azeredo – Passou-se alguma coisa?
- Creio que aqui o Senhor Antunes não ache piada a esse seu reparo, Sr. Albuquerque. – Azeredo olhou de soslaio para o seu companheiro e acabou por anuir – Afinal, ele perdeu uma neta!
Antunes Alva procurou uma cadeira e sentou-se em silêncio. Coisa que Azeredo, em breve, imitou.
- O que os traz por cá, neste dia de má memória? – questionou, limpando a boca ao guardanapo – O que os inquieta?
- A sua lágrima esta tarde, padre! – exclamou Antunes com ponderação – É raro um padre chorar no funeral de paroquianos.
- Ora, Sr. Antunes. – tentou sorrir – Foi um cisco que me entrou nos olhos…
Os dois homens trocaram olhares. E o padre António engoliu em seco. Ele chorara. Chorara de arrependimento, porque lhe custava ter enterrado aquela rapariga, ter presidido ao funeral de uma moça ingénua, que morrera de forma tão inglória e desnecessária. Fora apenas uma lágrima de arrependimento por não ter tido a atitude certa…
- Ficamos preocupados, Padre! – admitiu Azeredo – Pensamos até em falarmos com o bispo…
- Com o Bispo?! – interrompeu – Não vale a pena incomodarem-no com tolices. Além disso, o que é que lhe iriam dizer?! – Antunes e Azeredo mostraram-se incomodados com a pergunta – Que o padre António tem um cisco nos olhos?!
- Assim sendo, assim é! – disse Azeredo em jeito de conclusão e encaminhando-se para a saída.
- Eu sou um homem de palavra, senhores! - exclamou – Mesmo que isso manche a minha alma… - levantou-se - Deus será meu Juiz, quando chegar a minha hora! E ele conhece-me bem!
- Ainda bem que pensa assim. – admitiu admirado Azeredo.
- Pergunto-me: será que os senhores conseguirão ter esta paz de alma?
Os dois homens saíram cabisbaixos e o padre António voltou a sentar-se à mesa, pensativo e triste: Marta morrera, e com ela levara a sua paz e a paz daquelas duas famílias; paz de alma seria coisa que nunca mais ninguém teria. Que Deus valesse a todos.

in, Marta, pag. 1, 2014, Paulo Pinto Fonseca

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Marta

Olá a todos

O projecto Ebook finalmente foi concretizado. Desde a semana passada que o ebook Marta se encontra disponível para download no site da Kobo.

Marta é uma história sobre uma família, especialmente sobre Teresa, e leva-nos até aos últimos anos do Estado Novo e a realidades que, hoje - muitos de nós -, desconhecemos terem sido vividas.


Deixo-vos a sinopse:

Perante a inevitabilidade da conversa, o padre, limpando a boca ao guardanapo, quis saber o que os levara ali, naquela noite de má memória - o que os inquietaria?
Antunes, com ponderação, respondeu que fora a lágrima que ele derramara naquela tarde; justificando-se com o facto de ser raro um padre chorar no funeral de paroquianos.
Fora um cisco que lhe entrara nos olhos, disse o padre.
Os dois homens trocaram olhares. E o padre António engoliu em seco. Ele chorara. Chorara de arrependimento, porque lhe custava ter enterrado aquela rapariga, ter presidido ao funeral de uma moça ingénua, que morrera de forma tão inglória e desnecessária. Fora apenas uma lágrima de arrependimento por não ter tido a atitude certa…
Azeredo sublinhou a preocupação que o transtornara, a ele e a Antunes Alva. E inquietação deles fora tal que anunciaram ter pensado ir falar com o bispo.
O padre António interrompeu-os e recorreu à sua ironia, perguntando-lhes se iriam inquietar o Bispo por causa de um cisco lhe ter entrado na vista.
Azeredo acatou a resposta e, em jeito de conclusão,  encaminhou-se para a saída. No entanto, o padre António fez-se ainda ouvir para lhes dizer que era um homem de palavra, mesmo que isso lhe manchasse a alma. Dito isto, levantou-se para proclamar que Deus seria o seu Juiz quando chegasse a sua hora - e que Ele conhecia-o bem.
Azeredo Albuquerque, admirado, admitiu que iria mais descansado depois de ouvir aquilo.
O padre não se fez rogado e desafiou-os, lançando para o ar a questão: seriam eles capazes de ter aquela paz de alma?
Os dois homens saíram cabisbaixos e o padre António voltou a sentar-se à mesa, pensativo e triste: Marta morrera, e com ela levara a sua paz e a paz daquelas duas famílias; paz de alma seria coisa que nunca mais ninguém teria. Que Deus valesse a todos.

By Fonseca, Paulo Pinto, Marta, 1ª Eedição, Janeiro 2014