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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Mais uma colectânea

Olá a todos.

A Pastelaria Estúdios vai lançar, no final deste mês, mais uma das suas colectâneas - temáticas -, destinadas a promover escritores de língua oficial portuguesa. Desta vez o tema é a Mentira, em todas as suas facetas. 

Eu voltei a ter o meu conto seleccionado para publicação: «Os Lobos do Alberto».

Com este, são já quatro, os contos que publiquei pela Pastelaria Estúdios: 

- «As Confissões de Maidenov»;

- «Poseidon»;

- «...Por Linhas Tortas»;

- «Os Lobos do Alberto»;

Partilho com todos um excerto do texto da minha autoria:

«Nasci há 35 anos, numa terrinha esquecida por Deus, em Trás-os-Montes. Vi as pessoas irem saindo, umas atrás das outras, sem nunca as ter visto regressar; a minha mãe, perante o meu espanto, dizia-me que as pessoas se deveriam perder e o meu pai falava-me dos lobos. E enquanto crescia, à medida que fui percebendo das coisas, do mundo, da mesma forma que fui perdendo a fé em Deus - que nos esquecera ali - fui entendendo o que levava as pessoas dali embora e fui criando a minha própria versão dos factos: as pessoas não se perdiam, nem eram apanhadas pelos lobos; esqueciam-se de voltar. Uma coisa que também a mim me aconteceria, um dia; muito embora, eu ainda não tenha percebido se me esqueci do caminho ou se me perdi; nem sei se alguma vez irei perceber, ou quererei fazê-lo, pela simples razão de que o homem acredita no que quer. Como um grande amigo meu me diria, anos mais tarde, muitos anos depois de eu ser aquele rapazinho de Trás-os-Montes: às vezes acredita-se tanto na mentira que não se distingue a mentira da verdade e, nesse caso, o que é que é a mentira, e para quem, e o que é a verdade? Quem é o mentiroso?»

in, «Os Lobos do Alberto», by Paulo Pinto Fonseca, Colectânea Mentira, pág. 173, Pastelaria Studios, 2015  

terça-feira, 19 de novembro de 2013

...por linhas tortas

Saiu, no passado mês de Outubro, mais uma colectânea da Pastelaria Studios: 7 pecados I e II. Mais uma vez participei, elevando, com esta, para três as minhas colaborações com a Pastelaria Studios no que respeita a contos.


Contribui com «As confissões de Maidenov» para a Corda Bamba, com «Posidon» para Ocultos Buracos e agora, mais recentemente, para 7 Pecados, com «... por linhas tortas».


Abaixo partilho com todos um excerto deste conto.

«A porta estava fechada e não estava ninguém em casa. Mas isso não o surpreendera: ela avisara-o.

Ainda assim, Dionísio, depois de ter espetado o dedo na campainha, deu mais duas pancadas fortes na porta. Suspirou exasperado, ao ver que ela cumprira o que dissera e, antes de virar as costas e começar a descer as escadas do prédio, ainda remoeu algumas asneiradas.

Entrou no Ford Fiesta branco, de dois lugares, sentou-se e marcou o número da Dulce B. no telemóvel. Recostou-se e aguardou que ela atendesse; mas ela não atendeu. E ele, mordendo a língua, deixou uma mensagem atenciosa no voice mail.

Lá fora a noite ameaçava ser fria. Passava pouco das 21h e a maioria os carros estava tão cheio de água como se tivesse acabado de chover; não era uma noite para se passar sozinho numa cama. E não fora isso que planeara: Dulce B. era a companhia agendada; e a ideia dele e ela enfiados numa cama, envolvidos num festim, era suficiente para ficar excitado. Só que a Dulce B. não estava em casa – mais uma vez; faltara ao compromisso – pelo segundo mês consecutivo; e isso, além do irritar, trazia-lhe um problema: onde iria aliviar-se?» in Colectânea 7 Pecados I, ...por linhas tortas, Pastelaria Studios